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Por que tememos tanto o diálogo?

Se estamos sempre nos comunicando, de maneira voluntária ou involuntária, verbal ou não verbal; se somos seres naturalmente interativos; se adoramos nos encontrar por aí para bater um papo; por que temos calafrios quando alguém nos diz que precisa conversar? Ou, pior, por que é tão difícil iniciar um diálogo que sabemos ser necessário?

Pouco antes de nos casarmos, meu marido e eu conversávamos sobre como era bom ter ao lado alguém que nos faz evoluir. Refleti por alguns segundos e disse a ele: “mas eu não ajudei você a evoluir em nada”. E ele respondeu com olhar surpreso: “Como não? Você me ensinou a falar”.

Passei a perceber, desde então, que as relações são, muitas vezes, prejudicadas porque não sabemos dialogar. Nós gritamos, fazemos birra, cortamos relações, damos sermões, espalhamos julgamentos, mas dificilmente dialogamos. Isso porque, em grande parte das vezes, temos medo de iniciar um diálogo, por mais que saibamos ser necessário.

Esse nosso medo vem, primeiro, por não desenvolvermos essa prática.

E isso por diversas razões; ou por termos tido uma educação familiar mais autoritária; ou por termos históricos de relacionamentos amorosos nos quais nossas expressões foram mal interpretadas; ou porque ao longo do nosso desenvolvimento tivemos que nos submeter a padrões para sermos aceitos. As razões são diversas e inúmeras. Mas fato é que precisamos desenvolver a prática do diálogo: precisamos aprender a falar e a ouvir.

Outra grande razão que vejo para a ausência da prática do diálogo é que, muitas vezes, nos sentimos fragilizados.

Quando precisamos conversar sobre um determinado assunto com o nosso cônjuge, com o nosso colega de trabalho, com o nosso chefe, ou mesmo um amigo, precisamos expor sentimentos, frustrações, desejos e, por vezes, acabamos nos sentindo vulneráveis. Por isso, invariavelmente, achamos um caminho mais fácil, o do sermão, do julgamento ou, pior, do silêncio. Eu jogo para o outro a responsabilidade e a culpa dos meus sentimentos, e não preciso dizer o quanto aquela atitude me magoa, me dá ciúme, me deixa com medo.

Para conseguirmos de fato dialogar é preciso que, antes de tudo, saibamos que expor ao outro nossas percepções, sentimentos e desejos não é, necessariamente, deixar-se vulnerável.

É, antes de tudo, uma forma de fazer com que o outro compreenda por que eu espero dele determinada atitude. Quanto ultrapassamos essa barreira da fragilidade, e passamos a iniciar conversas, expondo as razões pelas quais é preciso tê-las, nós passamos a criar um hábito. O hábito do diálogo. Passamos a adotar a prática como regra e o medo vai sendo cada vez menor. Mas, não é só falar que é difícil, ouvir é tanto quanto ou mais.

Também tememos ouvir. E escutar é essencial ao diálogo.

Quando iniciamos uma conversa, ou aceitamos dialogar com alguém que inicia uma conversa, precisamos estar abertos e receptivos ao que o outro irá expor. E é nesse momento que é tão importante a prática da empatia. Tentar compreender o que o outro diz, do lugar de onde ele fala.

Todavia, o que eu faço com aquilo que ouço é outro departamento. Nem sempre irei concordar com o outro. E nem sempre haverá concordância. Nem sempre haverá consenso. E aí mora outra razão de evitarmos o diálogo. Por vezes, não queremos entrar em conflito com aquela pessoa e aí nos calamos. Mas o problema não se resolve e quando vemos, viramos reféns das nossas frustrações.

Ter medo do conflito, apesar de comum, não parece natural. Isto porque essencialmente somos diferentes e posições divergentes fazem parte das relações. Saber se posicionar e, mais, aceitar que o outro pensa diferente são habilidades bastante raras e também precisam ser desenvolvidas se queremos nos comunicar bem em nossas relações.

Parece besteira dizer que para nos comunicarmos de maneira mais assertiva precisamos aprender a falar, a ouvir e a desmistificar a ideia de que conflito é ruim. Mas repensar nosso modo de praticar esses atos, faz com que consigamos alcançar novas formas de comunicação, desenvolvendo diálogos mais eficazes e melhorando (e muito) as nossas relações.

Outros artigos aqui do Diálogos poderão ajudar no desenvolvimento dessas habilidades.

 

Acompanhe!

 

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