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Por que odiei minha primeira (e única) sessão de coaching

Por Que Odiei Minha Primeira (e única) Sessão De Coaching

Eu não sabia responder a pergunta central: O QUE VOCÊ QUER?

Depois de mais de um ano dessa única sessão, consigo assumir por que odiei a única sessão de coaching que fiz. A pergunta que norteava a sessão e que iria guiar meus próximos passos rumo aos meus objetivos era: O QUE VOCÊ QUER?

Naquele momento, eu precisava responder algo que eu não sabia – O QUE EU QUERIA. Estávamos falando de carreira e de atuação profissional. Eu tinha acabado de ingressar em um mestrado acadêmico, em uma excelente universidade pública, concorrido e muito almejado. Estava numa trajetória ascendente na advocacia, apesar de pouco tempo de carteira. Minha trajetória já estava traçada e eu estava muito bem, obrigada.

Eu nunca fui uma pessoa metódica, que faz muitos planos, muito menos que traça metas. Sempre me joguei de cabeça nas oportunidades que surgiam. A sensação que sempre tive é a de que uma vez traçada a meta, eu estou aprisionada. E não só pela questão do comprometimento, mas pelo medo da expectativa. Ao colocar uma meta no papel, fico ansiosa, cheia de medos e minha potência – que é adequar-me ao caos do novo desconhecido – deixa de inflamar e eu me sinto acuada.

Esse meu perfil do se joga me deixa insegura quando as metas estão traçadas. Então nunca me preocupei com isso. Trabalhei como auxiliar de chef de cozinha em um restaurante chique de Curitiba aos 18 anos, depois virei professora de língua portuguesa da educação básica até virar advogada. Aos 20 anos dava aula ara crianças de 10 anos em uma escola católica. Aos 25 anos de idade virei procuradora-geral de um município sem ter nenhuma vinculação ou interesse político. A proposta surgiu, eu peguei. Foi um caos, uma loucura, um desafio de uma vida. Mas eu adorei. Adorei testar meus limites, surpreender-me a cada dia. Com a mesma idade, fui chamada para substituir um professor universitário na disciplina de introdução ao direito civil, me joguei, e tenho lembranças ótimas (espero que meus ex-alunos também tenham). E assim foi até meus 27 anos de idade. Superando desafios decorrentes das propostas que me faziam e das oportunidades que batiam à minha porta.

Enquanto trabalhava, nunca deixei de estudar. Fiz duas graduações, pós, inúmeras formações e mestrado. Não sei como dei conta de tudo isso. Acho que sempre fui apaixonada pelo caos, pelo desafio e pela ideia de o mundo sempre pode me surpreender.

Foi então que me perguntaram: O QUE VOCÊ QUER? Quais seus objetivos? Até então, eu nunca tinha me feito aquela pergunta e não seria em uma sessão de 1 hora que eu conseguiria uma resposta. Demorei um ano.

Odiei aquela sessão porque ela me pôs em uma posição na qual eu nunca havia ficado antes, pelo menos não em relação à minha carreira e à minha atuação profissional: eu fiquei insegura. Naquele instante, quanto mais o coach me fazia perguntas, mais invadida eu me sentia. Até então, eu tinha certeza de saber muito bem quem eu era. Mas se eu sabia, o que eu queria?

Aí veio outra pergunta: O QUE É MAIS IMPORTANTE PARA VOCÊ? (Lembre-se, estávamos falando de carreira). DINHEIRO? STATUS? FAZER O QUE GOSTA? Eu também não sabia. Aliás, sabia o que não era: dinheiro. Dinheiro não era o mais importante, era uma consequência, mas não um divisor de águas. Não era o aspecto mais relevante na hora de aceitar um desafio. Não me engano: sim, dinheiro é importante, mas não está como prioridade nas minhas escolhas. Só consegui responder isso. Ufa! Respondi.

E então ele veio capcioso com uma uma pergunta: O QUE É ENTÃO? O MAIS IMPORTANTE? Não sei. E isso eu ainda não descobri. E essa pergunta ainda revira meu estômago.

Acabou a sessão. Mas as capciosas e ardilosas e doloridas perguntas ficaram me remoendo por todo esse tempo. Eu precisava, mais do que descobrir o que eu quero, tomar uma decisão atrelada a isso.

Nesse meio tempo tive surpresas felizes. Me casei e mudei de cidade. Saí de Curitiba para morar no Rio de Janeiro. Outro mundo. Outro mecanismo. Outro tipo de caos. Não me adaptei à rotina da cidade. Foi então que decidi: não quero mais cumprir expediente. Quero que minha profissão não dependa da minha presença física em um determinado local, mas que eu possa fazer minha agenda, meus horários e minha rotina. E quais das minhas habilidades me proporcionaria isso? Foi então que veio a decisão dois: quero escrever.

Comunicação sempre foi o meu forte. A palavra sempre foi minha arma. E a escrita, definitivamente, é o que alimenta a minha alma.

O que eu quero, Sr. Coach? Escrever. Tão simples quanto isso. Fácil, não?

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