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Dia da Mulher: mulheres normais somos todas nós

Dia Da Mulher

“Ter lugar de fala e de escuta é um direito primordial e uma das lutas mais importantes das mulheres”

A escritora Izabella de Macedo é uma entusiasta de tudo o que diz respeito ao universo feminino. E representa muito bem esse perfil, por isso é a nossa convidada para uma entrevista sobre o papel da mulher na literatura, as bandeiras femininas e, é claro, seu livro “Mulheres Normais”. Uma obra sobre e para as mulheres, que expressa por meio de divertidas, dramáticas e tocantes crônicas os sentimentos e inquietações de suas personagens.

Curitibana, Izabella é mestre em Direito e graduada em Letras. Filha, mãe, esposa e, sobretudo, uma mulher para quem a empatia é o caminho de transformação do mundo.

Confira o bate-papo.

O seu livro é intitulado Mulheres Normais, por quê? Quem são elas?

Mulheres normais somos todas nós. Com nossos dilemas cotidianos, nossos corações partidos, nossas decepções amorosas, nossas dificuldades, nossa vontade incontrolável de comer um chocolate, nossa ansiedade antes de um encontro esperado, nossos boletos atrasados. O título é uma provocação, para nós, mulheres. Tendemos a acreditar que o que acontece conosco é uma excentricidade, que nossa dor é incomum, que nossos dilemas são anormais, que nossas necessidades são frívolas. Temos uma crença geral de que precisamos ser diferentes do que somos e tentemos a crer que o problema está em nós. Este livro mostra exatamente o oposto: ele mostra que tudo isso que a gente sente, pensa e passa é totalmente normal e que não estamos sozinhas.

Suas crônicas levam a que tipos de reflexões?

Como eu disse, são provocações. As crônicas, apesar de serem curtas e retratarem uma determinada situação cotidiana, nos levam a perceber que o universo feminino contém uma infinidade de sentimentos e sensações que são muitas vezes abafadas pela crença que temos de que precisamos ser fortes; de que precisamos esconder nossas fragilidades; de que precisamos dar conta de tudo mesmo quando nosso mundo desmorona por uma desilusão amorosa, por exemplo. Minhas crônicas trazem discursos femininos comuns e abafados de acontecimentos cotidianos, sem julgamentos; as crônicas nada mais são do que recortes do universo feminino do jeito que ele é. O livro é como se fosse uma transcrição de um microfone de um banheiro feminino de um bar badalado da cidade: ele expõe conversas e desabafos de diferentes mulheres que sentem e pensam e têm algo a dizer a alguém.

Qual a importância da mulher se expressar como na literatura?

Termos espaços de fala é condição necessária. Temos o Dia da Mulher, que ganhou muito espaço comercialmente, mas ele é uma celebração dos direitos da mulher. Ter lugar de fala e de escuta é um direito primordial e uma das lutas mais importantes, ao menos é o que eu acredito e defendo. Eu escrevo e divulgo e falo sobre o que eu quiser em minhas crônicas porque outras mulheres conquistaram – por mim – este espaço. A literatura é um universo gigantesco, e foram grandes escritoras que me moldaram, como Ana Maria Machado e Martha Medeiros. A literatura que eu faço e o jeito que criei de expressar sentimentos femininos em pequenas crônicas têm a importância de sensibilizar, de mostrar àquelas que se identificam que elas não estão sozinhas e, principalmente, de despertar um olhar mais empático por aquelas que não se reconhecem naquela determinada situação. Espero que eu consiga.

O Dia da Mulher é celebrado mundialmente há 112 anos, com muitas conquistas, porém distante da igualdade entre homens e mulheres. Você acha saudável essa comparação?

Pergunta difícil. Muito provavelmente eu não conseguirei chegar a uma resposta minimamente satisfatória. Não acho que comparar seja saudável, em nenhuma situação. Primeiro porque acredito que falamos de um determinado lugar marcado pelo tempo e pelo espaço (e por classe social, e acesso à cultura, e nível educacional e muitos outros fatores, pelos quais comparar não faz nunca sentido algum). Mas, quanto à temática da pergunta, respondo: não sou uma estudiosa do Feminismo, e exatamente por isso tenho muita cautela ao me posicionar sobre o assunto, sobretudo por achar que padeço deste erro. Acho que seria minha obrigação, como mulher, como advogada e principalmente como escritora – cujo público é 99% formado por mulheres – ser uma estudiosa entusiasta da temática, mas não sou (ainda). Na minha ignorância, acredito que não queremos ser iguais. Eu não quero ser igual. Aliás, é justamente nas minhas diferenças que quero ser respeitada. Eu engravido, e nessa condição, quero ser respeitada. Eu amamento, e nessa condição, quero ser respeitada. E assim por diante. Queremos respeito, queremos não ser violentadas. Quando penso na imensidão de mulheres que sofrem violência por ser mulher, eu penso que ainda conquistamos muito pouco.

Na sua opinião, qual deve ser a bandeira das mulheres neste 8 de março?

Mulheres: apoiem-se. Uma mulher apoia uma mulher. Em qualquer que seja sua necessidade. Assim podemos mudar o mundo.

Entrevista concedida para a LC Agência de Comunicação.

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